Quando licenças viram números: limites metodológicos do Slave Voyages na análise regional
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Resumo
Este artigo reavalia as estimativas quantitativas do tráfico transatlântico de escravos para a Bahia ao comparar o Slave Voyages (tstd 2) com uma nova série fiscal reconstruída a partir das prestações de contas de desembarque da Alfândega de Salvador para africanos escravizados provenientes da Costa da Mina (1724-1761). Defende-se que as divergências entre séries não constituem medidas concorrentes do mesmo fenômeno, mas expressões de regimes documentais distintos: o tstd apoia-se sobretudo na navegação licenciada e em imputações algorítmicas, ao passo que a documentação alfandegária registra o tráfico como fato fiscal –mercadoria humana efetivamente incorporada à economia colonial e ao circuito arrecadatório da Coroa. Ao examinar licenças, coeficientes médios de lotação e mortalidade presumida, o estudo evidencia como inferências em camadas podem obliterar a distinção entre dado observacional e estimativa e gerar duplicações e inconsistências regionais. Conclui pela centralidade dos registros fiscais e pela revisão transparente dos dados do tstd para o Brasil.
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